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Ser Mago…

1 de janeiro de 2026
Ser Mago…

É muito simbólico para mim que o primeiro post do blog seja publicado em um dia sob a incontestável tríplice influência do número um (01/01/2026 | 2 + 0 + 2 + 6 = 10 = 1), o que me remete imediatamente para o Arcano do Mago e todo o poder que o arcano evoca.

Meu primeiro contato com esse arcano se deu em 1995, enquanto estudava o Tarot Mitológico de Sharman-Burke. É claro que na época eu não fazia ideia do que essa carta significava, menos ainda o que significava ser uma maga. Ainda hoje, depois de tantos anos de estudos e vinte e dois graus de magia depois, não estou certa de que esgotei essa compreensão.

Na ocasião, o Mago Merlin e a Senhora do Lago eram minhas únicas referências, resultado de uma leitura obsessiva de tudo que encontrava de Marion Zimmer Bradley. Ainda que a referencia visual não tenha sido tão rica como Dumbledore (Harry Potter) e Gandalf (O Senhor dos Anéis), a fascinação que me trouxe foi o bastante – ou pelo menos eu assim acreditava – para me lançar em tudo que havia disponível sobre Magia para entender que força era essa que me puxava como um vagalume é levado para a luz.

A busca durou muitos anos, frios e solitários. Hoje tenho clareza de que era a Lei agindo, testando a minha resignação. Quando os mistérios se revelaram diante dos meus olhos, foi algo tão gratificante que mal consigo descrever, se eu pudesse fazê-lo. Talvez essa seja uma das partes mais complicadas de ser um iniciado. Você aprende, a despeito da curiosidade e provocação – muitas vezes até ofensivas –, que deve manter o silêncio sobre os mistérios e as revelações que acontecem só a você.

É loucamente desafiador, especialmente nos dias de hoje, onde aparentemente tudo que você é precisa ser visto, validado e aprovado por alguém, que por ironia, não necessariamente é realmente mais esclarecido do que você para validar ou aprovar algo.

Após a iniciação, tudo é caótico. Milhares de peças de um quebra-cabeça são trazidas diante de você. As peças se exibem e dançam diante dos seus olhos, mostrando fragmentos que estiveram ali o tempo todo, mas você simplesmente era incapaz de ver. Quando o deslumbre passa, você se pega tentando fazer as peças se conectarem. É aí que a provocação começa.

As peças zombam de você, desafiando as leis da física e da lógica. Nenhuma peça parece se encaixar e elas dizem, em alto e bom som: "Você não é tão esperto quanto pensa." Muitos conhecem essa etapa como a antessala dos mistérios, e a maioria se perde justamente aí.

A Lei não deixa passar quem não está pronto. É simples assim. E o motivo é conhecido há muito tempo: "Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto para os ouvidos do Entendimento." — O Caibalion.

Mas, mãe – você me pergunta – onde está a inclusão? Isso soa elitista, como se só um grupo de eleitos pudesse alcançar o conhecimento verdadeiro!

Ninguém está dizendo que não é para todos. O que a Lei diz é que só tem acesso quem está pronto. Estar ou não pronto é contigo. Estar pronto para que o mestre apareça – e acreditem, ele aparece – é um processo longo. É sobre encarar verdades sobre si mesmo que não quer enfrentar. É sobre entender que tudo tem um tempo para acontecer.

— Ah, mas eu sou ansioso(a) – você me responde. – Não tem como acelerar?

Você não é ansioso. Está ansioso. Não existe atalho. Você precisa se curar de muitas coisas – que muitas vezes você nem sabe que são um problema – antes de ser capaz de ouvir o mestre. E quando finalmente o mestre se apresenta a você, é preciso que você acredite nele e aja de acordo, o que é outro desafio enorme.

Só uma determinação muito forte vence tantos desafios, e, infelizmente, nossa cultura atual é imediatista, limitada a 180 caracteres ou menos, aguardando tudo vir mastigado, e com uma necessidade desmedida de ser visto e aprovado.

Ser mago é ser agente de mudança, fazer coisas acontecerem na sua vida e, com alguma sorte, usar isso para ajudar as pessoas ao redor. O Mago é alguém a serviço da força primordial criadora de tudo e de todos, independentemente do nome que você dê a ela. É ser um servo da Lei, independentemente dos caminhos aonde isso pode te levar — e nem sempre você vai curtir a viagem.

Transformação implica dor. Deixar de ser algo para ser outra coisa dói. O problema é que fomos educados a percorrer um longo caminho para evitar desconforto, e é justamente isso que nos afasta do nosso verdadeiro potencial. A borboleta não surge sem a morte da lagarta, e pode acreditar, doeu pra se transformar. Você acha que alguém conta para a lagarta que ela vai virar borboleta?

Viver a magia como meio de vida é muito mais sobre vencer o seu Voldemort pessoal do que erguer penas no ar. É sobre ser Gandalf na ponte de Khazad-dûm, encarando o abismo e tudo que quer atravessá-lo e decretar: "Você não vai passar."